Tarsila! Descobrindo a mãe da arte brasileira em MOMA

Umas crianças dos 7 a 9 anos, obviamente parte de uma turma escolar, se sentaram no chão em frente do quadro “Composição (Figura Só)” da grande artista brasileira, Tarsila do Amaral. Sua professora lhes dava instruções sobre o que fazer com seus cadernos de desenho. Que lindo ver aqueles meninos tendo uma aula de arte no MOMA! (Museum of Modern Art, NYC)

 

 

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Dentro das salas lotadas, não somente circulavam alunos de todas as idades, mas também, idosos, adultos, brasileiros, americanos dos Estados Unidos, e turistas de vários países. A obra da artista brasileira, Tarsila, finalmente chegou ao MOMA de Nova Iorque!

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Eu vi algumas das peças dela em São Paulo em 2014. Gostei muito dos museus de São Paulo, MASP e as Pinotecas. Eu fui em uma quarta-feira, no 28 de março de 2018, para vivienciá-la em Nova Iorque. O MOMA e o Chicago Art Institute colaboraram para fazer esta iniciativa. Especificamente, Luis Pérez-Oramas e Stephanie D’Alessandro prepararam e organizaram a exposição, com ajuda de Karen Grimson.

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O que mais gostei desta exposicão foi a oportunidade de ver a sua obra original na minha frente e ao mesmo tempo reviver meus momentos no Brasil. Cada quadro de Tarsila invoca um aspeto da cultura brasileira, e inspira a saudade. E isso o que ela queria, porque quando estava fora do Brasil, começou a sentir-se ainda mais brasileira e disse:

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Uma coisa que não entendo (e não gosto) de alguns museus, é o monolinguismo. E não é só MOMA que faz isso. Para esta mostra de arte, todas as inscrições (menos os títulos das obras) e a áudio-guia foram apresentadas em inglês. Claro, este evento se destina ao público estadunidense, mas na minha opinião, deve ser bilingue–em português e inglês. Existem certas coisas que resistem a tradução e é ilucinante ter o original no lugar para referência, e uma explicação em português (ou a língua do artista). Na áudia-guia que eu segui em inglês, tinha um erro com a pronúncia de “Sono” (disse “sonho” que significa “dream” em inglês) que realmente confundaria todo o significado da obra “O Sono” de Tarsila. Outra vantagem do bilinguismo é que acolhe a mais pessoas. Uma apresentação bilingue daria o “bem-vindo” aos lusofalantes a uma exposição de muita importância para o Brasil e o mundo lusófono.

Porém, é uma crítica menor. Adorei reparar sua obra desde os desenhos de lápiz e tinta em papel até os grandes quadros à óleo, pelos quais ganhou sua fama no Brasil e no exterior.

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Não vou fazer uma crítica “objetiva” ou escrever um texto pseudo-acadêmico sobre Tarsila no MOMA. Já publicaram a guia que todos podem comprar na livraria. Também podem assistir à entrevista com Caetano Veloso que fizeram no museu, sobre a arte de Tarsila e o tropicalismo em youtube.com, ou até podem fazer uma busca de Google para os artigos escritos por expertos famosos de arte. Prefiro oferecer algumas das minha reações e observações sobre meus quadros favoritos da exposição.

Primeiro, como artista, admirei muito que Tarsila assinasse seus quadros com apenas seu primeiro nome. Existe a ideia entre alguns artistas estadunidenses que um artista plástico “sério” tem que assinar sua obra com o sobrenome. Tarsila mostra que isso não é verdade.

Tarsila pintou temas brasileiros e iniciou, com seu esposo Oswald de Andrade, e outros artistas de todo tipo, o movimento antropófago e modernismo em São Paulo. Tarsila viajou para París para estudar arte, e também pelo Brasil para explorar temática autóctone. Ela desenhou e pintou animais, figuras humanas, “quase” humanas, a natureza, o campo e a cidade. Sobretudo em uma maneira não realista. Tinha influência de cubismo, surrealismo, futurismo e tudo que estava se fazendo naquela época–nas primeiras três décadas do século XX.

Nascida em 1886, em uma fazenda de São Paulo, capta a natureza de forma bruta na sua obra. “Cartão postal” de Tarsila tem os elementos de muitos postais típicos do Brasil–palmeiras, outras árvores, animais, casas, fruta, água e morros. É interesante sua mistura de plantas da caatinga com o rio/mar–como se este cartão postal representasse não só a familiar paisagem tropical, mas também a do interior, do sertão brasileiro.

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“O sono” fica na minha cabeça, por seu surrealismo misturado com o elemento brasileiro–essa palmeira primitiva e essencial.

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A última obra que se encontra antes de terminar e sair da sala é “Operários” de 1933. Aquí tem uma representação de tipos de brasileiros diferentes e as usinas urbanas.

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Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil continua no MOMA até 3 de junho 2018.